Dois homens, sentados à mesa, conversando: tema do texto: dialética

Dialética é um termo conhecido na linguagem filosófica. Veja o que Platão e Aristóteles consideravam importante nesse processo de busca.

Dialética é um termo conhecido na linguagem filosófica. Seu uso mais antigo foi, geralmente, atribuído ao filósofo Sócrates, que viveu entre meados do século V e o início do século IV aC.

No entanto, como o referido filósofo não nos deixou nenhum escrito, o uso desse método veio até nós através dos escritos de Platão, que em suas obras tentou nos apresentar seu mestre Sócrates.

No presente artigo tentaremos mostrar, à luz da obra El topo y su laberinto de Vicente Santuc, uma apresentação sobre como Platão entendeu a dialética. Em seguida, iremos comparar com a interpretação de Aristóteles.

Veremos porque este último não acreditava, ao contrário daquele, que o simples fato do diálogo bastasse para chegar à verdade, mas acrescentava que esse diálogo necessitaria de alguns critérios para cumprir seu objetivo.

A dialética para Platão

A dialética para Platão é o exercício do diálogo entre duas partes, por meio do qual se busca chegar à verdade sobre algum assunto discutido.

Para ele, diálogo é sinônimo de dialética. Agora, devemos considerar os diferentes significados que a palavra diálogo pode ter: o primeiro deles é separar; o segundo, conversar; e o terceiro, argumentar.

Para Platão, o diálogo abarca esses diferentes sentidos, de modo que considera o diálogo como o ato de falar, discutir e separar os sentidos (Vicente Santuc 2005: 46).

Tendo em vista que, para Platão, a verdade era algo que poderia ser alcançado por meio da dialética, é importante destacar o processo que deveria ser seguido para alcançá-la.

Esse caminho começa com a definição de cada termo que deve então levar a um consenso sobre ele. O essencial, neste sentido, era que o diálogo seguisse os elementos de uma operação lógica (Vicente Santuc 2005: 47).

Como é possível perceber, Platão pressupôs a boa intenção de quem se envolveu no diálogo e a verdadeira busca da verdade.

Por outro lado, Aristóteles não considera que essa intenção seja algo evidente, pois considera que apenas as demandas lógicas na dialética podem não ser suficientes, já que alguém poderia defender um argumento falso com fundamento lógico.

Por isso, ele insistirá na necessidade de a dialética adquirir dois elementos: o primeiro deles é a consideração da substância do problema; a segunda, a consideração da intenção e do propósito do diálogo e de quem dialoga.

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A dialética para Aristóteles

Para Aristóteles, é importante considerar se uma tese é geralmente aceita ou não. Por isso, considera que as opiniões comumente aceitas são argumentos oportunos no exercício dialético, pois representam a “sabedoria popular secular”.

Isso é o que Aristóteles chama: a consideração da substância do problema, “que a ‘opinião’ avançada no diálogo está de acordo com as ‘opiniões aceitas’” (Vicente Santuc 2005: 56).

Com isso, Aristóteles expressa sua preocupação com a busca real da verdade. Para o filósofo, as técnicas utilizadas pela dialética também poderiam ser utilizadas por quem busca não a verdade propriamente. Esse seria o caso de quem quer apenas convencer seu interlocutor, por meio da linguagem.

A segunda consideração que o filósofo propõe diz respeito à intenção do interlocutor e ao propósito do diálogo.

Ele instrui a manter esta consideração em mente, uma vez que a dialética só poderia funcionar considerando prováveis ​​teses que, no entanto, para ele, não iriam além de opiniões bem fundamentadas, mas que não necessariamente corresponderiam à verdade.

Por isso, em sua obra Tópicos do tomo VIII, ele vai nos dizer que no diálogo entre “dialéticos” que buscam a verdade, “são necessários dois homens qualificados de boa vontade para realizar o trabalho comum de diálogo” (Tópicos VIII, 161a).

Conclusão

Em conclusão, para Platão a dialética é a busca de consenso sobre um determinado tema por meio de um diálogo que respeite a lógica.

Por outro lado, Aristóteles considera importante agregar a esse diálogo a consideração da substância do problema e da intenção do diálogo e de seus interlocutores.

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