Triângulo comvários cores: Franz Rosenzweig

Franz Rosenzweig, um filósofo judeu alemão, viveu entre 1886 e 1929. Sua obra principal, A Estrela da Redenção, foi considerada por muitos autores como um dos escritos mais importantes do século XX, sendo comparável a Ser e Tempo de Heidegger e O Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein[1].

Neste artigo apresentaremos a ideia de alteridade, presente na obra do autor.

Deve-se dizer, em um primeiro momento, que a alteridade é entendida como a relação com o outro, com o diferente.

Deus, Homem e Mundo em Franz Rosenzweig

Rosenzweig se propõe a fazer uma nova reflexão sobre a tríade Deus, Homem e Mundo; ou seja, o autor alemão faz uma nova filosofia sobre a inter-relação desses três elementos.

Para isso, refletirá também sobre: ​​Criação, Revelação e Redenção[2]. Ambos os triângulos formam a chamada Estrela de Davi, ou da Redenção, como Rosenzweig chamou sua obra principal.

O autor desconstrói o que o senso comum entendeu sobre essas inter-relações: a visão, por exemplo, do Deus Todo-Poderoso, que tudo domina.

Nesse sentido, ele escreve que o ser humano é sempre outro em relação a Deus. Isto é, para o autor, Deus, ao criar, cria a pessoa humana, por amor, com uma natureza diferente da sua.

Esta natureza  é, pois, diferente da de Deus, e é a partir disso que o autor nos fará refletir sobre a real liberdade de cada ser humano, visto que ele não está sujeito à natureza de Deus[3].

Por outro lado, a Revelação é o meio pelo qual Deus aparece, se apresenta. Rosenzweig dirá que Deus se revela no mundo.

Nesse sentido, ele também critica a visão segundo a qual o Mundo é algo negativo; ao contrário, para o nosso filósofo, o Mundo não é algo que deva ser enfrentado, mas o lugar para o bem, pois é um dom de Deus à pessoa humana, é o seu lugar, é onde este se desenvolve, na relação com os outros.

O mundo é, portanto, o único lugar onde os humanos podem dar e receber amor. No entanto, isso não implica um apego ao material, mas sim um desapego contínuo para sair de si em direção ao serviço dos outros.

Por fim, no que diz respeito à Redenção, podemos pensar que isso ocorre na medida em que passamos a compreender a diversidade do outro que é sempre diferente.

O autor se refere a isso com a seguinte fórmula:  “B não é igual a nenhum outro B, mas igual a si mesmo. E somente a si mesmo”[4]. B, nesse sentido, refere-se à pessoa humana, e com isso podemos concluir que ninguém é igual a niguém; e a Redenção ocorre por meio da consciência disso.

Conclusão

Em suma, o que Franz Rosenzweig faz é uma desconstrução da visão tradicional de Deus, do Homem e do Mundo e as consequentes inter-relações entre esses elementos.

A partir da nova visão proposta pelo autor, o Mundo deixa de ser “o lugar da perdição” e passa a ser considerado como o lugar – único lugar – onde a pessoa pode se desenvolver como tal, por isso é preciso amar o mundo.

Por outro lado, por não ser da mesma natureza de Deus, o homem tem sua liberdade assegurada, por ter sido criado por amor. Enfim, é no encontro com o outro que se experimenta a Redenção.

 

[1] Cf. Henriques, Mendo Castro, Franz Rosenzweig e o Pensamento Dialógico, Introdução. Lisboa, 2016, Universidade Católica

[2] Gonzales, J. (2020). Introducción a la obra Célula originaria de Franz Rosenzweig [Clase del día 25/08/2020]. Lima: Iset Juan XXIII.

[3] Gonzales, J. (2020). Introducción a la obra Célula originaria de Franz Rosenzweig [Clase del día 27/08/2020]. Lima: Iset Juan XXIII.

[4] Franz Rosenzweig (s.f.). Lo humano, lo divino y lo mundano. “Célula originaria” de La estrella de la Redención (p.64.). Ediciones Lilmod.

Um comentário em “Alteridade: nossa relação com o outro”

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